
Durante muitos anos Patrícia Dias trabalhou em centro cirúrgico acompanhando pacientes oncológicas. Com o tempo percebeu que as mulheres precisavam mais do que acolhimento após a retirada e reconstrução das mamas.
“Muitas me perguntavam se seria possível refazer o bico do peito, as aréolas, e isso me fez refletir se havia uma forma de ajudar essas mulheres”, conta Patrícia.
Em 2019 ela decidiu empreender e criou um projeto especializado na confecção de próteses externas de mama e aréola, super-realistas. Para chegar ao modelo atual, fez diversos cursos, entre eles maquiagem e até efeitos especiais de cinema, além de técnicas utilizadas no teatro, tudo com o objetivo de oferecer um resultado fiel às características de cada mulher.
O resultado são aréolas de silicone que se parecem muito com as naturais e que reproduzem inclusive as cores originais. Elas podem ser utilizadas por mulheres e homens que perderam as aréolas em procedimentos reparadores, como mastectomia total, queimaduras e acidentes, ou em procedimentos estéticos, como mamoplastia redutora e mastopexia. Também atendem mulheres que enfrentam desafios decorrentes da Síndrome de Poland, condição congênita rara que causa o subdesenvolvimento ou ausência do músculo peitoral maior, além de pessoas transgênero. As próteses ainda são uma alternativa para quem já realizou a micropigmentação das aréolas e deseja recuperar textura e volume.
A enfermeira já atendeu mais de 300 pacientes em Curitiba e em outras cidades e já é referência no Brasil. Com esse projeto conquistou o primeiro lugar no Prêmio Empreendedoras 2025 na categoria Microempreendedora Individual, MEI.
As próteses podem ser usadas logo após a cirurgia. A cola dura de sete a dez dias e permite vida normal. A paciente pode tomar banho e frequentar praia ou piscina que a prótese permanece fixada. Depois desse período, ela mesma pode recolocar o material.
Segundo Patrícia, o trabalho que faz vai muito além da questão estética: é devolver para elas o encontro com o espelho, uma vez que muitas deixam de se olhar depois da retirada da mama porque estão com cicatrizes que querem apagar.
“É um trabalho que vai além da estética, é sobre devolver a autoestima, a identidade e a conexão com quem se é. E a inovação desse trabalho não está apenas nos materiais ou nas técnicas que eu utilizo, mas na forma de cuidar, de escutar e devolver ao paciente o sentimento de pertencimento sobre o próprio corpo”, diz
A empreendedora conta que são inúmeros os relatos de mulheres que, após utilizarem as próteses, resgatam a autoestima e encontram forças para continuar o tratamento, que normalmente continua com quimioterapia ou radioterapia.
Patrícia venceu o prêmio Empreendedora 2025, da Prefeitura de Curitiba, na categoria MEI, porém, com o crescimento do negócio, acredita que em breve precisará mudar de faixa empresarial. O maior desafio hoje, segundo ela, é fazer com que as próteses cheguem a mais mulheres, especialmente as que enfrentam dificuldades financeiras.
Para ampliar o acesso, ela busca apoio de políticas públicas e parcerias com instituições que possam adquirir as próteses e repassá-las a quem necessita. Além disso, ministra cursos no Brasil e no exterior ensinando sua técnica.
Sobre empreender, Patrícia reforça a importância da persistência. “É uma luta diária. Todos os dias precisamos buscar, aperfeiçoar, renovar e nunca achar que está tudo certo. Se é o seu propósito, o seu sonho, siga em frente. Não desista, porque vale a pena. No final sempre vale a pena.”