Ilustrador da famosa capivara da internet fala sobre como conquistou o sucesso no mundo digital

11 de setembro de 2026 por Vanessa Brollo

Tem uma capivara que provavelmente você já encontrou pelo Instagram. Ela aparece cansada, julgando a vida, tomando café, enfrentando boletos, trabalho, relacionamentos e todas aquelas pequenas situações que fazem parte da vida adulta. Ela não tem boca. Nem precisa. O olhar diz tudo.

A Capivara Curitibana é criação do ilustrador Rodrigo Vaz  e acabou se transformando em muito mais do que um personagem. Virou comunidade, negócio, marca e uma nova forma de empreender.

 

Mas essa história não começou com quase 700 mil seguidores, grandes marcas ou produtos licenciados. Começou muito antes, quando Rodrigo ainda tentava descobrir como transformar o talento para desenhar em uma profissão.

 

Rodrigo é ilustrador e sempre quis que seus desenhos fossem além da tela. Durante alguns anos, manteve uma empresa de almofadas ilustradas.

 

Foi ali que descobriu uma das primeiras lições do empreendedorismo criativo: saber fazer não significa necessariamente saber administrar um negócio.

 

Era preciso aprender sobre produção, vendas, divulgação, atendimento, preço e administração.

 

“Empreender no mercado criativo exige muito mais do que saber desenhar”, alerta.

 

Depois vieram alguns golpes no caminho. A pandemia derrubou a procura pelas almofadas, as cópias dos produtos se tornaram frequentes e uma parceria malsucedida com uma empresa do setor de franquias também pesou. Aos poucos, aquele negócio chegou ao fim.

 

Entre 2019 e o início de 2024, Rodrigo trabalhou como arte-finalista. Continuou vivendo da criação, mas ficou distante dos projetos autorais.

 

O Capyverso começou a nascer em 2023, com o Gato Sincero, um personagem mais ácido, direto e ligado ao rock. Depois veio a Capivara Curitibana.

 

A inspiração estava por todos os lados. No café, nos boletos, no trânsito, no trabalho, nos relacionamentos, na nostalgia e naquele jeito que todo mundo tem de olhar para uma situação cotidiana e pensar: “só pode estar acontecendo comigo”.

 

As ilustrações começaram a ser compartilhadas e, principalmente, identificadas. Os seguidores marcavam amigos e familiares e escreviam coisas como “é você” ou “lembrei de você”.Rodrigo percebeu que tinha encontrado alguma coisa.

 

“Não estava criando apenas desenhos isolados. Existia ali uma linguagem, uma comunidade e um universo que poderia crescer”, diz.

 

Em novembro de 2024, o perfil tinha poucas centenas de seguidores. Em dezembro, chegou aos primeiros 10 mil. Em janeiro de 2025, passou de 100 mil. Poucos meses depois, alcançou meio milhão.

 

Hoje, são mais de 690 mil pessoas acompanhando o Capyverso, além de milhões de visualizações nas redes sociais.

 

“O personagem Capivara Curitibana possui registro como obra intelectual na Biblioteca Nacional, o que é um grande motivo de orgulho para mim”, conta Rodrigo. A capivara nasceu com sotaque curitibano, mas encontrou situações que fazem sentido em qualquer lugar.

 

Quando o desenho virou negócio

ROdrigo percebeu que havia uma comunidade acompanhando seus personagens e que o Capyverso havia se transformado em um projeto de conteúdo.

 

A parceria com a Agência Onda ajudou a estruturar essa nova fase e abriu portas para campanhas com grandes marcas, como Coca-Cola, Casas Bahia, Disney+, LG, Magalu, Petlove e Localiza.

 

Hoje, o Capyverso já saiu das redes sociais. A capivara ganhou camisetas, bottons, ímãs e outros produtos. A pelúcia oficial é uma das novidades e transforma em objeto físico uma relação que começou na tela do celular. Também estão no radar histórias em quadrinhos, animações e projetos editoriais. A ideia é fazer os personagens ocuparem outros espaços, mas sem perder aquilo que fez tudo começar: a autoria de Rodrigo.

 

Em 2026, Rodrigo entrou para o Top 20 do Prêmio iBest na categoria Ilustração e Animação, em uma seleção que contou com participação do voto popular. 

 

 

Família Capyverso

O Gato Sincero foi o primeiro personagem desse universo e continua ocupando um lugar muito especial na história do projeto. Ele é ácido, direto, irônico e apaixonado pelo rock dos anos 1980 e 1990. Também é quem costuma quebrar a quarta parede e conversar diretamente com o público.

 

A Capivara é o personagem central do universo. Tem um olhar permanentemente cansado da vida adulta, é sarcástica, observadora, movida a café e capaz de responder a quase tudo sem precisar abrir a boca.

 

O Vira-lata Caramelo é o malandro profissional. Improvisa, encontra atalhos e sempre parece saber como aproveitar melhor a vida.

 

 A Preguiça é tranquila, sensata e especialista em adiar tudo sem perder a paz.

 

O Quero-quero é mal-humorado, territorial e está sempre pronto para comprar uma briga.

 

Além deles o Capyverso ganhou muitos outos personagens, cada um também com sua característica: a Gralha-azul, Gato Ozzy ,Jabuti , Coelho, ET e o Rodrigo trabalha agora na criação de um vilão para esse universo.

 

 

As dicas de Rodrigo para quem quer empreender no digital

 

-Comece antes de se sentir completamente pronto

O Capyverso não nasceu com um plano perfeito. Não havia todos os personagens, produtos e estratégias definidos. Começou com algumas ideias e a vontade de continuar criando.Para Rodrigo, esperar estar completamente preparado pode ser apenas uma maneira sofisticada de adiar o começo.

-Não dependa apenas dos números, construa identificação

Ter seguidores ajuda, mas não é suficiente para construir uma comunidade. O alcance pode apresentar seu trabalho a alguém, mas é a identificação que faz essa pessoa permanecer.

É a identificação que faz alguém compartilhar, marcar um amigo e voltar no dia seguinte.

-Nunca desista e acredite em você

O Capyverso nasceu depois de um período em que Rodrigo havia se afastado dos próprios projetos autorais. Ele voltou a criar sem saber exatamente onde aquilo iria chegar.E essa talvez seja a dica mais importante de todas: continuar.

Rodrigo carrega como inspiração uma frase de Ayrton Senna:

“Tenha sempre como meta muita força, muita determinação e sempre faça tudo com muito amor e com muita fé, que um dia você chega lá.”