
A Aspa Chat, startup de Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba, cresceu quase 400% em 12 meses ao disputar espaço em um mercado ocupado por grandes plataformas de comunicação empresarial. A empresa B2B SaaS, que integra marketing, vendas, atendimento e gestão ao WhatsApp, acelerou a expansão após reorganizar sua estratégia de crescimento a partir de maio de 2025, com a entrada da Start Growth na operação.
O avanço se refletiu em receita, base de clientes e retenção. A Aspa Chat ultrapassou 200 empresas atendidas e registra entre 2 mil e 3 mil usuários únicos por dia na plataforma.
A virada não partiu de uma transformação radical no produto. O trabalho passou a conectar posicionamento, marketing, vendas e indicadores para definir prioridades e identificar os canais com maior capacidade de gerar clientes e receita.
“Nós já conhecíamos muitas das ferramentas de crescimento. O que mudou foi entender como utilizá-las de maneira coordenada e onde concentrar energia”, diz o CEO e fundador da Aspa Chat, Khael Bubniak.
Para Carlos Castilho, sócio da Start Growth, a mudança esteve mais ligada à estratégia do que à criação de novas funcionalidades. “A ASPA já tinha uma solução de alto valor. A empresa passou a comunicar melhor esse valor, alcançar mais clientes e converter oportunidades com mais consistência.”
A CEO e cofundadora da Start Growth, Marilucia Pertile, destaca a execução como parte central desse processo na estratégia da startup. “Capital sozinho não corrige estratégia. O que faz diferença é entender onde está o gargalo, qual canal que realmente converte, como a empresa se posiciona e onde existe capacidade de escala.”
O WhatsApp para além do atendimento
A ASPA Chat, que também tem como sócios André Arima e Felipe Boaron, aposta no WhatsApp como ambiente para concentrar diferentes etapas da operação comercial, como um ambiente de relacionamento contínuo com o cliente. Uma conversa pode ser conectada à origem de uma campanha, entrada do lead, negociação, venda e relacionamento pós-compra.
Com estratégia WhatsApp-first, a plataforma reúne marketing, vendas e Customer Success, integrações personalizadas com CRM e ERP, gestão de equipes, métricas, histórico corporativo e agentes de inteligência artificial.
“Hoje, tecnologia sozinha deixou de ser diferencial. Buscamos uma experiência tão simples quanto utilizar o próprio WhatsApp, enquanto a empresa mantém controle, dados e processos para operar em escala com facilidade”, afirma Bubniak.
Após o crescimento dos últimos 12 meses, a prioridade é ampliar a aquisição de clientes e fortalecer a operação comercial. Apesar de já atender centenas de empresas com usuários espalhados em cinco países, o foco permanece no Brasil, onde a Aspa Chat pretende ampliar sua base antes de avançar de forma mais estruturada em outros mercados.
“A ASPA já venceu o desafio de tirar o foguete do chão. Agora começa uma fase diferente: escalar. O desafio deixa de ser descobrir como crescer e passa a ser aumentar essa capacidade, adicionando novos canais, estratégias e investimento, sem perder a eficiência da operação”, afirma Castilho.
Como não construir uma startup
O crescimento atual contrasta com a trajetória da Aspa Chat. Criada em 2019 praticamente como uma software house inicialmente voltada ao turismo, a empresa mudou de direção no pós-pandemia e passou a se chamar SuperSuporte, com uma ferramenta de atendimento por vários canais. Até 2023, ainda não operava como startup. No fim daquele ano, o rebranding para Aspa Chat acompanhou a mudança para o modelo atual.
Em 2024, Khael transformou parte dos erros acumulados nessa trajetória na palestra “Como não construir uma startup”, apresentada em um evento do Sebrae/PR. “A gente ficou dando murro em ponta de faca por muito tempo. São cinco anos batendo a cabeça, tentando fazer acontecer.”
No mesmo ano, a participação no Web Summit Rio aproximou a empresa do ecossistema de inovação e levou ao contato com sua primeira aceleradora. Em maio de 2025, a entrada da Start Growth marcou uma nova etapa, com foco na estruturação do crescimento.
Para Khael, a trajetória também mudou sua percepção sobre persistência: reconhecer o que não funciona rápido, ajustar o caminho e buscar referências fora da própria operação passaram a fazer parte do processo. “Se lá no começo tivesse alguém que já fez isso olhando para o que a gente estava fazendo, acho que teria economizado bons anos da nossa vida.”